Não precisa trazer malas
Entre você e eu não há segredos
Vem que meu corpo te agasalha
Meu coração te abriga,te recebo
Inteiro em mim...
(Escrito por M. Panner)
Por ser feito de felicidade o Mundo em que eu vivo, eu tinha certeza de sua presença cada vez mais próxima de min.
Por eu ter uma sensação antecipada pela sua chegada havia em mim o medo da morte.
Te amo com todas as minhas forças...
E só a você desejo amar assim.
Sou teu de todas as formas que você imaginar
Sinto meu Coração bater através do seu.
Porque você me traz a Paz.
Pela madrugada o rádio põe em surdina
Um fundo musical de filme
Em meu desespero
E a serenidade da noite, impassível,
Com sua felicidade de luar e estrelas
Me faz mal,
Parece afrontar meu desejo impossível
E ainda me torna mais triste, mais sentimental...
Você está em todas as formas do pensamento
E no pensamento que conforma todas as coisas...
Em vão tento fugir com a música,
Tento evadir-me com a noite,
Em vão!
- Você é a música, à noite, você esta em tudo!
É a própria forma e o conteúdo
Da minha solidão...
Este homem que passa leva os teus cabelos,
Teus castanhos cabelos que desmancho e emaranho
Como um viageiro perdido a procurar o caminho
Esse que vi na praia e me olhou pensativo,
Tem os teus olhos vagos que parecem guardar
A inquietude e a tristeza infinitas do mar...
Aquele outro, na rua, a levar tuas formas
E o ritmo de teu andar, eu o sigo inquieto
Colhendo-te em cada passo, no pensamento...
Estás em todos os instantes... Surges, e me surpreendes
Numa voz, num sorriso, num olhar, num gesto...
Encontro-te disperso em mil vultos que passam,
E mil detalhes estranhos são a tua presença...
Hoje, em cada homem que vejo, há um pouco de ti
Descompassando o meu coração,
E esse sentimento visionário que me acompanha
Faz da tua lembrança uma obsessão...
Desenrolam-se as curvas do caminho à proporção que aos poucos avançamos...
Um dia, - e eu vinha então triste e sozinho, - um dia, - vinhas sós...
Encontramos-nos...
Desde esse dia, juntos, simulamos duas asas de um mesmo passarinho,
- nesse destino que entrançou dos ramos que dão a mesma flor... e o mesmo espinho...
Depois de tantas curvas já vencidas, que sejamos ao fim de nossas vidas a perfeição do amor que nos conduz.
Pronto...
Já agora seremos como dois irmãos, unidos pelo amor que há pouco nos venceu...
Meus sentidos não tocarão tua beleza nem sentirás a aspereza de meu corpo de encontro ao teu...
Há em ti a quietude das águas remansosas e protegidas, e eu sou como um barco de velas recolhidas guardando no cordame dos mastros a nostalgia erótica dos ventos e no bojo, ressoante, o rumor impetuoso do mar alto...
Pronto...
Já agora o meu pensamento ficou límpido e sereno como o céu sem nuvens depois que o vento passou num temporal...
- E consigo te amar – um amor quase fraterno e ameno,
- Que fica à margem do bem...
- Que paira acima do mal!
Já agora seremos apenas como dois irmãos...
Adormecerás em meus braços, com a tua mão que ficou em minhas mãos, e eu ficarei a enlaçar-te, com os lábios em teus cabelos numa ternura imensa, esquecido de minha presença...
Tens um vago olhar de sonho,
Eu um vago olhar de criança
E envolve-nos essa paz, essa serenidade.
Já não me ouves, vem sei... Se a tua cabeça em meu ombro pende, em abandono... Meus sentidos não acordaram a tua beleza, nem sentirás a aspereza de meu corpo perturbar a teu sono...
Pronto...
Ficaste nos meus braços, quieto, adormecido, como dentro de minhas mãos as tuas mãos...
Estranho o nosso amor...
Interessante a Vida...
- Há pouco, loucos como dois amantes!
- Agora, puros, como dois irmãos!

Serás a brasa ardente,
A chama a brilhar mais vivamente
Ao vento que passa...
Serei o vento, serei o vento
Numa irrequieta alegria,
A fazer dos momentos gloriosos
E vividos dia a dia
E das ânsias e dos gozos,
Espirais de fumaça e de poesia!
Espirais de fumaça, esguias, azuis,
Monólogos de sonhos e poesias
Que ainda não compus,
Intentando lembrar as linhas dos teus traços
E a tatuarem nos espaços
Teu corpo de fumaça
E tua alma de Luz!
As líricas espirais dos poemas que componho
Lembrando restos de sonho,
E que vêm de ti, porque te amo
E porque me amas,
Como da brasa acesa fogem para os céus
Numa dança de gestos e de flamas,
Espirais de fumaça
Envolvendo de véus
Os corpos bailarinos e louros das chamas!
Serei o vento, sim!
Virei de muito longe, da experiência das minhas emoções,
Pela infinita estrada
Onde deixei um sonho preso em cada espinho,
E em cada espinho presa uma ilusão fanada...
Virei de muito longe, sim, nesse caminho,
Que vai chegar a ti,
Onde os cardos e as rosas se misturam pelas encruzilhadas,
- julgando trazer as mãos cheias de estrelas,
Quando apenas colhi
Os louros pirilampos soltos nas estradas!
Serei o vento, sim!
Encherei teus ouvidos com canções mais distantes,
Mais estranhas de povos desconhecidos
Que moram para além do mar e das montanhas...
Transbordarei teus olhos com o caleidoscópio
Das paisagens bonitas e esquisitas
Do mundo em que eu habito,
E dar-te-ei a provar do extraordinário ópio infinito
Da minha alma
- e então te levarei pela mão,
Dócil, calmo, deslumbrado,
Em abandono e como embalado
Em um sono.
Não! Não quero bocas fartas e relaxadas pelos desejos, frias e saturadas de beijos.
Saturadas e vazias...
Bocas que deixam manchas noutras bocas, tatuagens efêmeras e loucas de segundos de amor que estertoram de tédio...
- Nem quero estes homens que me dêem de seus desejos com gestos indiferentes de alguém que oferta a meus nervos doentes um fictício remédio...
Quero somente a boca que desejo de amor, que se entrega a mim com doces palavras.
A estória abaixo, me era contada quase sempre, por minha mãe em minha infância. De uma forma que não sei explicar, ela ficou marcada, esta gravada em mim... Eu a sei de cor.
Sou feliz por ter lembranças como estas, de minha mãe me contando estórias, de meu pai indo me cobrir e me dar um beijo de boa noite...
Das brigas com meus irmãos, das artes que aprontei...
Está e somente uma das varias que eu tenho...
Mais é uma que hoje eu repito para meus sobrinhos... e quem sabe um dia repetirei para um filho em meus braços...
Bom, se for pra lembrar de tempos que não retornaram com a felicidade que me lembro daqueles dias, onde a chuva tinha cheiro de terra, e o morro era muito mais alto do que hoje em dia... eu as contarei milhares de vezes...
Meu amigo Camaleão acordou de bom humor.
- Bom dia, Sol, bom dia, Flores, bom dia todas as cores!!!capa.jpg)
E enquanto lavava o rosto em uma folha cheia de orvalho, foi crescendo aquela velha vontade dentro dele:
- Já sei, já sei, hoje vou ficar cor de rosa que é minha cor preferida, e vou sair pelo Sol, contente da minha vida.
Meu amigo Camaleão estava feliz porque tinha chegado a Primavera. E o Sol, finalmente, depois de um Inverno longo e frio, brilhava alegre no céu.
- Hoje eu estou de bem com a vida.
Disse ele. – Quero ser bonzinho com todo mundo...
Logo que saiu de casa, o nosso amigo Camaleão encontrou o Professor Pernilongo, que toca Violino na Orquestra do Teatro Florestal
- Bom dia Professor!
Como vai o Senhor?
- Bom dia, Camaleão!
- Mais o que é isso meu irmão?
- Por que é que mudou de cor, esta cor não lhe cai bem... Olhe para o Azul do Céu, por que não fica Azul também?
O Camaleão, amável como ele era, resolveu ficar azul, como o Céu de Primavera...
Até que em uma clareira o Camaleão encontrou o Sabía-Laranjeira:
- Meu amigo Camaleão, muito bom dia a você!
- Mas que cor é esta agora? O amigo está Azul por quê?
Porque o Amigo não fica Alaranjado, cor de Laranja, Dourado?
Nosso amigo bem depressa, resolveu mudar de cor.
Ficou logo Alaranjado, Louro, Laranja, Dourado.
E cantando alegremente, lá se foi ainda contente...
Na pracinha da floresta, saindo da Capelinha, vinha o Senhor Louva-a-deus, mais a fam
ília inteirinha. Ele é um senhor muito serio, não gosta de gracinhas...
- Bom dia meu amigo Camaleão!
- Bom dia.
- Bom dia.
-Bom dia meu amigo Camaleão!
-Bom dia.
-Bom dia. Cruzes quanta gente...
- Que cor mais escandalosa! Parece ate fantasia de Carnaval...
Você devia arranjar uma cor mais Natural!
Veja o Verde da folhagem, veja o Verde da Campina, o amigo deveria fazer o que a Natureza ensina.
É claro que o nosso amigo resolveu mudar de cor. Ficou logo bem verdinho, e se foi pelo seu caminho...
Vocês agora já sabem como era o Camaleão, bastava que alguém falasse, mudava de opinião.
Ficava roxo, amarelo, ficava cor de pavão. Ficava de toda cor, não sabia dizer NÃO.
Por isso, naquele dia, cada vez que se encontrava com algum de seus amigos, e que o amigo estranhava a cor com que ele estava...
Adivinha o que fazia o nosso amigo Camaleão?
Pois é, ele logo mudava, mudava para outro tom...
Mudou de rosa para azul.
De azul para alaranjado.
De laranja para verde.
De verde para encarnado.
Mudou de preto para branco, e de branco ficou roxinho.
De roxo para amarelo, e até para cor de vinho...
Quando o Sol começou a se pôr no horizonte, o Camaleão resolveu voltar para casa, estava cansado do longo passeio e mais cansado ainda de tanto mudar de cor.
Entrou em sua casinha, deitou para descansar, e lá ficou a pensar:
- Por mais que a gente se esforce, não pode agradar a todos.
Alguns gostam de farofa, outros preferem farelo...
Uns gostam de maçã, outros querem Marmelo...
Tem quem goste de sapatos, tem quem goste de chinelos...
E se não fossem os gostos, o que seria do Amarelo?
Por isso no outro dia, nosso amigo Camaleão levantou-se bem cedinho:
- Bom dia Sol, bom dia Flores, bom dia Todas as cores...
E enquanto lavava o rosto em uma folha cheia de orvalho, foi crescendo aquela velha vontade dentro dele:
- Já sei, já sei, hoje vou ficar cor de rosa, que é minha cor preferida, e vou sair pelo Sol, contente da minha vida.
Logo que saiu, o nosso amigo Camaleão encontrou o Sapo Cururu, que é cantor de sucesso na Rádio Jovem Floresta.
-Bom dia, meu caro sapo! Que dia mais lindo, não?
- Bom dia, meu amigo Camaleão!
Mais que cor mais engraçada, antiga, tão desbotada...
Por que é que o amigo não usa uma cor mais avançada?
O Camaleão sorriu, encheu-se de coragem e disse ao seu amigo Sapo:
- Eu uso as cores que gosto, e com isso faço muito bem.
Eu gosto de bons conselhos, mais faço o que me convém.
Quem não agrada a si mesmo, não pode agradar ninguém...
E assim aconteceu o que acabei de contar.
Se gostaram, muito bem!
Se não gostaram, AZAR!